O cenário esportivo brasileiro encerra o ano de 2025 com uma confirmação oficial vinda de Zurique que altera drasticamente o planejamento para 2026. Conforme consta no sistema de monitoramento da FIFA, o Botafogo de Futebol e Regatas foi sancionado com um transferban de três janelas consecutivas, impedindo o registro de novos atletas em âmbito nacional e internacional.
A medida administrativa é decorrente da inadimplência contratual junto ao Atlanta United (EUA). Em questão, o saldo devedor referente à transferência do meia Thiago Almada, realizada em julho de 2024. Segundo informações apuradas pelo portal ge.globo, o montante em aberto gira em torno de US$ 21 milhões (aproximadamente R$ 114 milhões).
A decisão da FIFA surge após o esgotamento de prazos e a validação do débito pela Corte Arbitral do Esporte (CAS), tornando a sanção imediata e de cumprimento obrigatório. No mundo do futebol profissional, fora da "caverna" das narrativas, o descumprimento de obrigações financeiras gera consequências que transcendem as quatro linhas.
Há um contraste evidente que merece análise técnica. Ao longo da última temporada, a gestão da SAF do Botafogo, liderada por John Textor, concentrou esforços em auditorias externas via Inteligência Artificial, buscando evidenciar supostas irregularidades no campeonato. Contudo, enquanto o foco se voltava para o combate a um "complô" sistêmico, o passivo circulante com clubes parceiros não era honrado.
O episódio levanta um debate necessário sobre a sustentabilidade das SAFs no Brasil. Diferente do modelo associativo de sucesso visto no Flamengo, que opera com fluxo de caixa próprio e autonomia financeira, certas gestões parecem caminhar sobre uma linha tênue de endividamento externo. Em 2026, o desafio do Alvinegro será de sobrevivência regulatória. O campo é real, e o boleto também.
